Comware 7: Configuração de VXLAN com BGP EVPN

O Ethernet Virtual Private Network (EVPN) é uma tecnologia VPN de Camada 2 VPN que fornece conectividade entre dispositivos tanto em Camada 2 como para Camada 3 através de uma rede IP. A tecnologia EVPN utiliza o MP-BGP como plano de controle (control plane) e o VXLAN como plano de dados/encaminhamento (data plane) de um switch/roteador. A tecnologia é geralmente utilizada em data centers em ambiente multitenant ( com múltiplos clientes e serviços) com grande tráfego leste-oeste.

A configuração do EVPN permite ao MP-BGP automatizar a descoberta de VTEPs, assim como o estabelecimento de tuneis VXLAN de forma dinâmica, a utilização de IRB (Integrated Routing and Bridging) anuncia tanto as informações  de Camada 2 e 3 para acesso ao host, fornecendo a utilização do melhor caminho através do ECMP e minimizando flood do trafego multidestination (BUM: broadcast,unicast unknown e multicast)  .

Em resumo o EVPN possui um address Family que permite que as informações de MAC, IP, VRF e VTEP sejam transportadas sobre o MP-BGP, que assim permitem aos VTEPs aprender informações sobre os hosts (via ARP/ND/DHCP etc.).

O BGP EVPN distribui e fornece essa informação para todos os outros pares BGP-EVPN dentro da rede.

Relembrando o VXLAN

O VXLAN prove uma rede de camada 2 sobreposta (overlay) em uma rede de camada 3 (underlay). Cada rede sobreposta é chamada de segmento VXLAN e é identificada por um ID único de 24 bits chamado VNI – VXLAN Network Identifier ou VXLAN ID.

A identificação de um host vem da combinação do endereço MAC e o VNI.  Os hosts situados em VXLANs diferentes não podem comunicar entre si (sem a utilização de um roteador). O pacote original enviado por um host na camada 2 é encapsulado em um cabeçalho VXLAN que inclui o VNI associado ao segmento VXLAN que aquele host pertence.

Os equipamentos que transportam os tuneis VXLAN são chamados de VTEP (VXLAN tunnel endpoints).

Quando um VXLAN VTEP ou tunnel endpoint comunica-se com outros VXLAN VTEP, um túnel VXLAN é estabelecido. Um túnel é meramente um mecanismo de transporte através de uma rede IP.

Todo o processamento VXLAN é executado nos VTEPs. O VTEP de entrada encapsula o tráfego com cabeçalho VXLAN, mais um cabeçalho UDP externo , mais um cabeçalhos IP externo, e então encaminha o tráfego por meio de túneis VXLAN. O VTEP do destino remove o encapsulamento VXLAN e encaminha o tráfego para o destino.

Os dispositivos da rede IP de transporte encaminham o tráfego VXLAN apenas com base no cabeçalho IP externo dos pacotes VXLAN (eles não precisam ter suporte à tecnologia VXLAN).

Uma imagem contendo screenshot, texto

Descrição gerada automaticamente

Um outro ponto importante é que a tecnologia VXLAN supera as limitações de apenas 4 mil domínios de broadcast fornecido por VLANs para até 16 milhões de domínios de broadcast com VNIs. Já para as limitações do Spanning-Tree que coloca os caminhos redundantes em estado de bloqueio, a tecnologia VXLAN permite a construção de todos os uplinks como parte de um backbone IP (rede underlay), utilizando protocolos de roteamento dinâmico para escolha do melhor caminho ao destino, assim fazendo uso do ECMP (Equal Cost Multipath) em uma topologia Spine-Leaf, por exemplo.

BGP EVPN

O BGP EVPN difere do comportamento “Flood and Learn” executado por tuneis VXLANs em diversas maneiras. Enquanto o tráfego multidestination (BUM: broadcast,unicast unknown e multicast) encaminhado pelo VXLAN sem o BGP EVPN necessita de utilizar grupos multicast, o EVPN permite a replicação da identificação dos dispositivos finais com o MP-BGP , assim como as informações do VTEP que ele está associado. As comunicações ARP para IPv4 também pode ser suprimida, aprimorando assim a eficiência do transporte dos dados.

LAB

No laboratório abaixo utilizamos os roteadores HP VSR no release R0621P18-X64, no EVE-NG.

Ambos os Spines estão configurados como VTEP e encaminharão o tráfego do VXLAN VNI 10. A instancia criada para esse cliente, chamamos de ‘clientea’.

O Spine está configurado como BGP Router Reflector fechando peerring com ambos Leafs. Nenhum Leaf fecha peering BGP entre si, somente como Spine.

Texto preto sobre fundo branco

Descrição gerada automaticamente

Configuração SPINE 1

#
 sysname Spine-01
#
interface LoopBack0
description OSPF_UNDERLAY
 ip address 192.168.0.1 255.255.255.255
#
interface LoopBack1
description BGP_EVPN_UNDERLAY
 ip address 192.168.0.11 255.255.255.255
#
interface GigabitEthernet1/0
description CONEXAO_LEAF3
 ip address 192.168.13.1  255.255.255.0
#
interface GigabitEthernet2/0
description CONEXAO_LEAF4
 ip address 192.168.14.1 255.255.255.0
#
ospf 1 router-id 192.168.0.1
 description UNDERLAY_OSPF
 area 0.0.0.0
  network 192.168.0.1 0.0.0.0
  network 192.168.0.11 0.0.0.0
  network 192.168.14.0 0.0.0.255
  network 192.168.13.0 0.0.0.255
#
bgp 65001
 group evpn internal
 peer evpn connect-interface LoopBack1
 peer 192.168.0.33 group evpn
 peer 192.168.0.44 group evpn
 #
 address-family l2vpn evpn
  undo policy vpn-target
  peer evpn enable
  peer evpn reflect-client
#

Configuração LEAF 3

#
 sysname Leaf-03
#
interface LoopBack0
description OSPF_UNDERLAY
 ip address 192.168.0.3 255.255.255.255
#
interface LoopBack1
description BGP_EVPN_UNDERLAY
 ip address 192.168.0.33 255.255.255.255
#
interface GigabitEthernet1/0
description CONEXAO_SPINE1
 ip address 192.168.13.3 255.255.255.0
 ospf network-type p2p
#
ospf 1 router-id 192.168.0.3
 description UNDERLAY_OSPF
 area 0.0.0.0
  network 192.168.0.3 0.0.0.0
  network 192.168.0.33 0.0.0.0
  network 192.168.13.0 0.0.0.255
#
bgp 65001
 peer 192.168.0.11 as-number 65001
 peer 192.168.0.11 connect-interface LoopBack1
 #
 address-family l2vpn evpn
  peer 192.168.0.11 enable
#
 vxlan tunnel mac-learning disable
#
 l2vpn enable
#
vsi clientea
 arp suppression enable
 vxlan 10
 evpn encapsulation vxlan
  route-distinguisher auto
  vpn-target auto export-extcommunity
  vpn-target auto import-extcommunity
  quit
#
interface GigabitEthernet3/0
 xconnect vsi clientea
#

Configuração LEAF 4

#
 sysname Leaf-04
#
interface LoopBack0
description OSPF_UNDERLAY
 ip address 192.168.0.4 255.255.255.255
#
interface LoopBack1
description BGP_EVPN_UNDERLAY
 ip address 192.168.0.44 255.255.255.255
#
interface GigabitEthernet2/0
description CONEXAO_SPINE2
 ip address 192.168.14.4 255.255.255.0
  ospf network-type p2p
#
ospf 1 router-id 192.168.0.4
 area 0.0.0.0
  network 192.168.0.4 0.0.0.0
  network 192.168.0.44 0.0.0.0
  network 192.168.14.0 0.0.0.255
#
bgp 65001
 peer 192.168.0.11 as-number 65001
 peer 192.168.0.11 connect-interface LoopBack1
 #
 address-family l2vpn evpn
  peer 192.168.0.11 enable
#
 vxlan tunnel mac-learning disable
#
 l2vpn enable
#
vsi clientea
 arp suppression enable
 evpn encapsulation vxlan
  route-distinguisher auto
  vpn-target auto export-extcommunity
  vpn-target auto import-extcommunity
  quit
  vxlan 10
  quit
#
interface GigabitEthernet3/0
 xconnect vsi clientea
#

Comandos Display bgp l2vpn evpn

Tela de computador com texto preto sobre fundo branco

Descrição gerada automaticamente

Comando display vxlan tunnel

Uma imagem contendo desenho

Descrição gerada automaticamente

Referências

R2702-HPE FlexFabric 5940 & 5930 Switch Series EVPN Configuration Guide

KRATTIGER, Lukas; KAPADIA, Shyam; JANSEN, David; Building Data Centers with VXLAN BGP EVPN – A Cisco NX-OS Perspective – 2017 CiscoPress

Vídeo: VRF (VPN-Instance)

A utilização de VRF (Virtual Routing and Forwarding) permite a criação de tabelas de roteamentos virtuais em Switches e Roteadores, independentes da tabela de roteamento “normal”(geralmente chamada de tabela de roteamento global [Global Routing Table]).

Da mesma forma como a utilização de VLANs em Switches Ethernet permitem a divisão de dominios de broadcasts e mapeamentos da tabela MAC, a utilização de VRF permite a virtualização da tabela de roteamento. Nos Switches e Roteadores utilizando o Sistema Operacional Comware (3Com, H3C e HPN) a feature é chamada de “vpn-instance“.

Obrigado!

Vídeo: Tabela de Roteamento

A tabela de roteamento possui registro dos destinos para encaminhamento dos pacotes. As rotas  podem ser aprendidas manualmente (rotas estáticas ou redes diretamente conectadas) e dinamicamente (aprendidos via protocolo de roteamento dinâmico como OSPF, BGP,etc).

Nesse vídeo faremos uma breve descrição do funcionamento, aprendizado e escolha das rotas por um Roteador.

Valeu!

Comware7: Template para IPv6 Prefix-list

Um prefixo ‘bogon’ é uma rota que nunca deve aparecer na tabela de roteamento da Internet. Um pacote roteado pela Internet pública nunca deve ter um endereço de origem em um intervalo ‘bogon'(não incluindo VPNs ou outros tipos túneis). Estes são geralmente encontrados como  endereços de origem de ataques DDoS.

A equipe 6Bogon mantém recomendações atualizadas para Filtro de Pacotes e para Filtro de rotas IPv6 para xSP, descrevendo as recomendações para filtragem de pacotes e filtragem de rotas para uso em roteadores de borda que falam IPv6 em/com xSPs. Continue reading

Perguntas e Respostas: VRF x VPN-instance

Galera, segue abaixo um pequeno resumo sobre a nomenclatura utilizada nas documentações Cisco x HP sobre o assunto VRF. Acredito que possa ajudar de forma rápida a entender alguns conceitos:

VRF: Virtual Routing and Forwarding
A utilização de VRFs (Virtual Routing and Forwarding) em Roteadores permite a criação de tabelas de roteamentos virtuais que trabalham de forma independente da tabela de roteamento “normal”, protegendo os processos de roteamento de cada cliente de forma individual. Utilizado em cenários MPLS L3VPN com MP-BGP.

PeR-VRF

VRF Lite
A mesma funcionalidade que a VRF para criação de tabelas de roteamento independentes, mas nomeado para cenários sem MPLS L3VPN. Chamado também de Multi-VRF.

PeR-VRF-lite

VPN-Instance
Termo utilizado nas documentações HP para VRF no Comware.

MCE (Multi CE)
Termo utilizado nas documentações HP para VRF-Lite.

 

Dúvidas e colocações, deixe um comentário.

Roteadores HP: OSPF Virtual Link

O desenho de uma rede OSPF requer que todas as áreas estejam diretamente conectadas à Area Backbone (Area 0 [zero]) e que os roteadores da Area 0 estejam sempre conectados com roteadores da mesma área.

Para conexão entre roteadores de diferentes áreas, o tráfego deve passar sempre pela Area 0.

OSPF Areas

Um virtual link é um link lógico que permite a conexão entre equipamentos da Area 0 que estão separados logicamente mas podem utilizar uma outra Area OSPF como trânsito, ou entre áreas não-Backbone que precisam utilizar outra área como transito:

OSPF Virtual link

O OSPF virtual link deve ser usado somente em casos específicos, conexões temporárias ou cenários de backup em caso de falha.

Configurando OSPF Virtual link

No exemplo abaixo, o virtual link servirá na conexão entre dois roteadores da Area 0 que estão separados por uma falha no link.

OSPF Virtual link - AREA 0

R1
#
ospf 1
  area 0.0.0.0
  network 192.168.1.0 0.0.0.255
  network 192.168.11.0 0.0.0.255
 area 0.0.0.1
  network 192.168.12.0 0.0.0.255
  vlink-peer 192.168.3.3
#
R3
#
ospf 1
 area 0.0.0.0
  network 192.168.3.0 0.0.0.255
  network 192.168.33.0 0.0.0.255
 area 0.0.0.1
  network 192.168.23.0 0.0.0.255
  vlink-peer 192.168.1.1
#

Comandos display

[R1]display  ospf vlink
         OSPF Process 1 with Router ID 192.168.1.1
                 Virtual Links
 Virtual-link Neighbor-ID  -> 192.168.3.3, Neighbor-State: Full
 Interface: 192.168.12.1 (GigabitEthernet0/0)
 Cost: 2  State: P-2-P  Type: Virtual
 Transit Area: 0.0.0.1
 Timers: Hello 10, Dead 40, Retransmit 5, Transmit Delay 1

#
 [R1]display ospf peer
         OSPF Process 1 with Router ID 192.168.1.1
               Neighbor Brief Information
 Area: 0.0.0.1
 Router ID       Address         Pri Dead-Time  State             Interface
 192.168.12.2    192.168.12.2    1   35         Full/DR           GE0/0
 Virtual link:
 Router ID       Address         Pri Dead-Time  State             Interface
 192.168.3.3     192.168.23.3    1   36         Full              GE0/0

Até breve